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Vereadora Giselli Bianchini, do Paraná, teria feito sinal nazista durante discurso em defesa da ditadura?

  • Foto do escritor: Michel Hajime
    Michel Hajime
  • 27 de fev.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 11 de abr.

Gesto rápido, pouco perceptível ao público, levanta dúvidas e questionamentos, especialmente diante de possíveis ligações ideológicas


Foto: Reprodução - Tv Camara  De Maringá - Sessão ordinária 09/12/2025
Foto: Reprodução - Tv Camara De Maringá - Sessão ordinária 09/12/2025

Há gestos que, no espaço político, ganham significados que vão além da intenção declarada de quem os pratica. Durante um discurso público em defesa da ditadura, uma vereadora realizou um movimento com a mão que coincide com gestos historicamente associados ao nazismo, o que naturalmente despertou questionamentos e inquietação. Ainda que não seja possível afirmar intenção ou vínculo ideológico, a coincidência simbólica é suficiente para provocar debate, sobretudo quando ocorre em um contexto político marcado por referências autoritárias.


Não se trata aqui de imputar crime à parlamentar, mas de compreender o peso simbólico de seus atos e as mensagens que eles comunicam à sociedade.


Ditadura e nazismo: aproximações históricas e simbólicas


Embora não sejam fenômenos idênticos, ditaduras latino-americanas do século XX e o regime nazista compartilham elementos estruturais: culto à autoridade, repressão a opositores, perseguição a minorias, uso da força do Estado para silenciar divergências e uma narrativa que legitima a violência em nome da “ordem” ou da “nação”.


O nazismo não foi apenas uma ideologia política extrema; foi um projeto de poder totalitário, responsável por genocídio, perseguições sistemáticas e crimes contra a humanidade. Por isso, seus símbolos, gestos e referências não podem ser tratados como banais ou desprovidos de sentido histórico.


No Brasil, a defesa da ditadura militar — ainda que travestida de “saudosismo” ou “opinião ideológica” — costuma ignorar ou relativizar práticas como censura, tortura, desaparecimentos forçados e assassinatos políticos. Quando essa defesa vem acompanhada de símbolos associados ao nazismo, o alerta se torna ainda mais grave.


Nazismo é crime — e deve ser combatido


É fundamental lembrar: o nazismo é crime no Brasil, conforme a legislação que pune a apologia e a disseminação dessa ideologia. Isso não é uma questão de opinião, mas de compromisso democrático com a memória histórica e com a proteção de grupos historicamente perseguidos.


Combater o nazismo não é cercear a liberdade de expressão; é proteger a sociedade de ideias que defendem a eliminação do outro, a hierarquização de vidas e a negação de direitos fundamentais.


Mesmo quando não há crime formalmente configurado, o dever ético de quem ocupa um cargo público é ainda maior. Vereadores, deputados e gestores não falam apenas por si: falam a partir de uma instituição e sob a legitimidade do voto popular.


Bolsonarismo e a normalização de símbolos autoritários


Nos últimos anos, parte do debate público brasileiro passou por um processo de radicalização simbólica. O bolsonarismo — movimento político associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro — frequentemente incorporou discursos que relativizam a ditadura, atacam a imprensa, deslegitimam instituições democráticas e flertam com símbolos autoritários.


Não se trata de afirmar que bolsonarismo e nazismo sejam a mesma coisa, mas de reconhecer pontos de contato discursivos: a glorificação da força, a ideia de inimigos internos, o desprezo por direitos humanos e a tentativa de transformar violência simbólica em algo aceitável no debate público.


Quando gestos associados ao nazismo passam a aparecer em discursos políticos sem um imediato e contundente repúdio, o risco é a normalização do inaceitável.


O papel da sociedade e da política


Uma democracia saudável não exige silêncio diante de símbolos autoritários — exige vigilância crítica. Questionar gestos, discursos e posturas de representantes eleitos não é perseguição política; é exercício de cidadania.


O episódio envolvendo a vereadora não deve ser tratado como espetáculo vazio, mas como oportunidade de reafirmar valores democráticos: memória, responsabilidade histórica e compromisso com os direitos humanos.


Porque, na política, gestos também governam. E alguns, definitivamente, não podem ser tolerados como se fossem apenas mais um detalhe retórico.


" A propagand nazista ocasionalmente manipulava síbolos critãos para obter apoio, mas, na realidade a ideologia nazista era fundamentalmente ainticristã" - Trecho do texto e imagem: Católicos europeus em português - https://catholicus.eu/pt/hitler-e-a-igreja-catolica-a-verdade-sobre-uma-relacao-controversa/
" A propagand nazista ocasionalmente manipulava síbolos critãos para obter apoio, mas, na realidade a ideologia nazista era fundamentalmente ainticristã" - Trecho do texto e imagem: Católicos europeus em português - https://catholicus.eu/pt/hitler-e-a-igreja-catolica-a-verdade-sobre-uma-relacao-controversa/

Hitler saindo de uma Igreja luterana. A igreja é a Christus-und Garnisonkirche der evangelisch-lutherische Kirchengemeinde, em Wilhelmshaven, que registra em  sua cronologia de visitantes ilustres: “Visita de Hitler à cidade e a Igreja em 1933.”
Hitler saindo de uma Igreja luterana. A igreja é a Christus-und Garnisonkirche der evangelisch-lutherische Kirchengemeinde, em Wilhelmshaven, que registra em  sua cronologia de visitantes ilustres: “Visita de Hitler à cidade e a Igreja em 1933.”

Nota ao leitor


Antes que surjam críticas do tipo “mas onde está a fala da vereadora?” ou “jornalismo precisa ser imparcial”, é fundamental esclarecer alguns pontos.


No jornalismo, existem diversos gêneros textuais. Quando se fala em reportagem, de fato, é necessário ouvir os dois lados envolvidos. No entanto, esta publicação não é uma reportagem, e sim um artigo de opinião — um gênero que, por natureza, não tem a obrigação de apresentar versões opostas, justamente por se propor a analisar, interpretar e opinar sobre fatos públicos.


Vale ressaltar que opinião não é licença para ilegalidade. Mesmo em artigos opinativos, o conteúdo deve respeitar os limites da lei. Neste texto específico, foram feitos questionamentos, análises e reflexões críticas, sem acusações, sem imputação de crime e sem juízo condenatório, exatamente como ocorre em outros artigos de opinião publicados em nosso site.


A crítica, quando fundamentada, é parte essencial da democracia e do debate público. E o direito à opinião, exercido com responsabilidade, também.

Transmissão da Sessão Ordinária da Cãmara de Vereadores de Maringá - 09/12/2025, ao qual a Vereadora Giselli Bianchini faz o discursos a favor da ditadura.


Autor: Michel Hajime


Fui abusado sexualmente aos 16 anos dentro de uma emissora de televisão por um segurança saindo da gravação de uma novela quando era figurante, na semana do meu aniversário de 17 anos um produtor me ofereceu trabalho em troca de sexo e se masturbou na minha dentro do camim, durante a produção de uma novela famosa.

Passei por uma possível tentativa de “cura gay”, sofri ameaças de morte e agressões, presenciei casos de racismo, gordofobia, entre outras violências. Tentei suicídio mais de uma vez. Fui parar no CAPS após ser diagnosticado com crise de pânico. Todos os meus casos foram negligenciados, mesmo após cobranças ao poder público.

Nunca imaginei que essa patologia fosse tão cruel. Cheguei a ter feridas que ficaram na carne viva. Antes, se outra pessoa tivesse, eu falaria que era “mimimi”, até viver na própria pele. Embora todas as crueldades que sofri, não desejo isso nem para o meu pior inimigo.

Hoje, luto contra tudo pelo que passei. Mesmo tendo sido coagido, perseguido e até estar sendo ameaçado de morte, nunca deixarei de lutar, principalmente pelas crianças inocentes (seu eu que fui abusado na nadolecência me doí muito, imagina uma criança). Podem até me matar, mas morro como homem — muito mais homem do que aqueles que fazem discursos moralistas, mas defendem o indefensável.

Hoje, a maior dor como gay é ver a homossexualidade ligada ao abuso infantil, quando a maior parte dos casos de abuso é heterossexual (principamente entre familiares). Soma-se a isso a dor de ser agredido por homens casados que se relacionam com outros homens, mas, para disfarçar, agem de forma homofóbica e usam a religião para se esconder.

Creio em Deus e sei da importância da religião. Porém, hoje, muitas pessoas que nunca foram de Deus usam a religiosidade como disfarce para seus crimes e perversões. Ainda assim, sei que do nosso Pai nada se esconde. Neste mundo tomado por pessoas imundas, nada passa despercebido aos olhos do Nosso Pai Celestial. E, mesmo sofrendo tudo isso, Ele saberá que, embora eu tenha me tornado uma vítima da sociedade — discurso que até descobrir que estava em crise de pânico eu abominava —, eu não me rendi e sigo lutando pelo que Deus realmente prega: Amor, Caridade e Respeito.

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