Quando você apanha e volta para o ex: Sérgio Moro, PL e (Flávio) Bolsonaro juntos novamente nas eleições 2026
- Michel Hajime

- 24 de mar.
- 5 min de leitura

Na política brasileira, rompimentos raramente são definitivos — e reconciliações quase nunca são gratuitas. O movimento recente de reaproximação entre Sérgio Moro e o Partido Liberal, orbitando a base de Flávio Bolsonaro, ilustra bem essa lógica pragmática. Mais do que um simples rearranjo partidário, trata-se de um capítulo revelador sobre memória curta, conveniência política e sobrevivência eleitoral.
Da ruptura barulhenta ao silêncio estratégico
Não faz muito tempo, a relação entre Moro e o bolsonarismo terminou em um divórcio público e ruidoso. Ao deixar o governo de Jair Bolsonaro em 2020, Moro adotou um tom crítico que o colocou diretamente em rota de colisão com o núcleo político que hoje volta a lhe estender a mão. A saída foi marcada por desconfiança mútua, acusações políticas e uma clara tentativa de distanciamento de imagem.
Naquele momento, Moro buscava consolidar uma identidade própria, distante da sombra do bolsonarismo. Tentou se posicionar como alternativa — técnica, jurídica, menos ideológica. Mas a política, especialmente em nível estadual, cobra coerência apenas até o limite da viabilidade eleitoral.
O isolamento e a necessidade de palanque
O cenário atual explica muito do retorno. Sem espaço garantido na federação União Progressista e sob risco de ter sua candidatura barrada internamente, Moro passou a enfrentar um problema clássico: viabilidade sem estrutura. Liderar pesquisas, como indica o levantamento citado, não basta sem um partido que ofereça tempo de TV, palanque e capilaridade.
É nesse ponto que o PL entra como solução — e também como oportunidade. Para o partido, que rompeu com o grupo de Ratinho Junior, apoiar Moro significa manter competitividade no Paraná, um dos maiores colégios eleitorais do país. Para Valdemar Costa Neto e aliados, trata-se menos de afinidade e mais de cálculo.
Uma aliança de conveniência mútua
A reaproximação com Flávio Bolsonaro não parece nascer de reconciliação ideológica, mas de alinhamento estratégico. O grupo bolsonarista precisa de um palanque forte no Paraná para sustentar um projeto nacional. Moro, por sua vez, precisa de uma estrutura partidária robusta para viabilizar sua candidatura ao governo estadual.
É uma aliança onde ambos cedem — e ambos ganham. O passado conflituoso é, convenientemente, relativizado. A resistência inicial dentro do PL, mencionada no texto-base, mostra que as feridas não desapareceram; apenas foram colocadas em segundo plano.
O eleitor como espectador de reviravoltas
Esse tipo de movimento levanta uma questão inevitável: como o eleitor interpreta essas mudanças? A metáfora do “voltar para o ex” funciona porque traduz bem a sensação de repetição de padrões. Há desgaste, ruptura, críticas públicas — e, depois, reconciliação quando as circunstâncias exigem.
Na prática, o eleitor se vê diante de alianças que desafiam narrativas anteriores. Quem era adversário vira aliado. Quem saiu criticando volta negociando. Isso não é exclusividade de Moro ou do PL, mas o caso ganha destaque justamente pelo histórico recente e pela intensidade da ruptura anterior.
Política como cálculo, não como memória
O possível retorno de Moro ao PL e à base bolsonarista evidencia uma característica central da política contemporânea: a prevalência do pragmatismo sobre a coerência histórica. Não se trata necessariamente de contradição pessoal, mas de adaptação a um ambiente onde sobrevivem os que conseguem se reposicionar.
No fim, a pergunta que fica não é por que eles voltaram a conversar — mas se, para o eleitor, essa reconciliação faz sentido ou soa apenas como mais um capítulo previsível de uma política movida por conveniência.
Porque, na política, como em certos relacionamentos, às vezes o passado pesa menos do que a necessidade do presente.
Notas aos leitores
Sensacionalismo? Não. Trata-se de um artigo de opinião, não de uma reportagem factual. Nesse formato, não há obrigação de ouvir todos os lados, como se exige no jornalismo informativo tradicional.
O objetivo aqui é analisar, interpretar e provocar reflexão a partir dos fatos públicos, utilizando recursos próprios da opinião — como ironia, crítica e até sarcasmo. Discordâncias são naturais e fazem parte do debate democrático, especialmente quando o texto não se propõe a ser neutro, mas sim argumentativo.
O uso da expressão “mulher de bandido” neste artigo não tem caráter literal nem pretende reforçar estigmas. Trata-se de um termo popular frequentemente utilizado, sobretudo em discursos mais à direita, de forma generalizante e preconceituosa para rotular mulheres a partir de suas relações pessoais.
Neste texto, a expressão é empregada de maneira irônica e crítica, justamente para expor a contradição e a hipocrisia desse tipo de discurso quando aplicado a contextos políticos. O objetivo é provocar reflexão sobre como rótulos simplistas são usados seletivamente no debate público, e não validá-los.

Autor: Michel Hajime
Fui abusado sexualmente aos 16 anos dentro de uma emissora de televisão por um segurança saindo da gravação de uma novela quando era figurante, na semana do meu aniversário de 17 anos um produtor me ofereceu trabalho em troca de sexo e se masturbou na minha dentro do camim, durante a produção de uma novela famosa.
Passei por uma possível tentativa de “cura gay”, sofri ameaças de morte e agressões, presenciei casos de racismo, gordofobia, entre outras violências. Tentei suicídio mais de uma vez. Fui parar no CAPS após ser diagnosticado com crise de pânico. Todos os meus casos foram negligenciados, mesmo após cobranças ao poder público.
Nunca imaginei que essa patologia fosse tão cruel. Cheguei a ter feridas que ficaram na carne viva. Antes, se outra pessoa tivesse, eu falaria que era “mimimi”, até viver na própria pele. Embora todas as crueldades que sofri, não desejo isso nem para o meu pior inimigo.
Hoje, luto contra tudo pelo que passei. Mesmo tendo sido coagido, perseguido e até estar sendo ameaçado de morte, nunca deixarei de lutar, principalmente pelas crianças inocentes (seu eu que fui abusado na nadolecência me doí muito, imagina uma criança). Podem até me matar, mas morro como homem — muito mais homem do que aqueles que fazem discursos moralistas, mas defendem o indefensável.
Hoje, a maior dor como gay é ver a homossexualidade ligada ao abuso infantil, quando a maior parte dos casos de abuso é heterossexual (principamente entre familiares). Soma-se a isso a dor de ser agredido por homens casados que se relacionam com outros homens, mas, para disfarçar, agem de forma homofóbica e usam a religião para se esconder.
Creio em Deus e sei da importância da religião. Porém, hoje, muitas pessoas que nunca foram de Deus usam a religiosidade como disfarce para seus crimes e perversões. Ainda assim, sei que do nosso Pai nada se esconde. Neste mundo tomado por pessoas imundas, nada passa despercebido aos olhos do Nosso Pai Celestial. E, mesmo sofrendo tudo isso, Ele saberá que, embora eu tenha me tornado uma vítima da sociedade — discurso que até descobrir que estava em crise de pânico eu abominava —, eu não me rendi e sigo lutando pelo que Deus realmente prega: Amor, Caridade e Respeito.



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