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Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e o discurso nazista apresentado de forma implícita

  • Foto do escritor: Michel Hajime
    Michel Hajime
  • 27 de fev.
  • 5 min de leitura

Posse e apologia de símbolos nazistas são crimes, independentemente da forma como são justificadas

O Sul do Brasil — formado por Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — carrega uma história rica de imigração europeia, especialmente alemã, italiana e eslava. Essa herança moldou paisagens, festas, sotaques e práticas culturais que fazem parte do patrimônio brasileiro. O problema começa quando essa memória histórica é instrumentalizada para sustentar discursos de exclusão apresentados de forma velada — não explícita, mas ainda assim reconhecível.


Este texto não acusa pessoas específicas nem imputa crimes. Analisa discursos, padrões simbólicos e casos noticiados amplamente conhecidos, à luz do interesse público, com a clareza necessária: nazismo é crime no Brasil, e qualquer tentativa de relativização, ainda que indireta, deve ser tratada com seriedade.


Quando o discurso não nomeia, mas sinaliza


Não é preciso citar o nazismo para reproduzir sua lógica. Ela pode aparecer diluída em frases como “defesa da pureza cultural”, “orgulho racial”, “superioridade civilizatória”, “família tradicional europeia, família tradicional, ou similares a família até então convencional” ou na rejeição sistemática a grupos vistos como “estranhos” ao território. Em muitos casos, esses enunciados surgem desvinculados de símbolos explícitos, justamente para escapar de responsabilização jurídica e social.


A estratégia é conhecida: desloca-se o debate do campo ideológico para o cultural, do político para o identitário. O resultado é um discurso que não se assume, mas se reconhece — sobretudo por quem é alvo dele.


Casos reais e fatos públicos


Santa Catarina, por exemplo, aparece recorrentemente em reportagens policiais por operações que apreendem material de propaganda nazista, como cédulas, panfletos, adesivos e objetos com símbolos proibidos. Não se trata de opinião: são fatos registrados por autoridades e pela imprensa ao longo dos anos. O estado já foi apontado, em diferentes momentos, como um dos locais com maior número de ocorrências desse tipo no país.


No Paraná e no Rio Grande do Sul, também há registros de grupos investigados por disseminação de conteúdo extremista, sobretudo em ambientes digitais, fóruns fechados e redes sociais. O padrão se repete: linguagem codificada, referências históricas seletivas e negação pública de qualquer vínculo ideológico explícito.

Importante frisar: posse e apologia de símbolos nazistas são crimes, independentemente da forma como são justificadas. O fato de alguns discursos tentarem se esconder sob a bandeira da “liberdade de expressão” não os torna legais nem aceitáveis.


Com 365 mil habitantes, Blumenau (SC) tem 63 células neonazistas, aponta estudo enviado à ONU - Instituto humanista Unisinos: https://www.ihu.unisinos.br/categorias/638326-com-365-mil-habitantes-blumenau-sc-tem-63-celulas-neonazistas-aponta-estudo-enviado-a-onu


A contradição identitária: não são alemães, são brasileiros


Há um ponto pouco discutido, mas fundamental: muitos dos que evocam uma suposta “identidade alemã superior” não são alemães. São brasileiros, nascidos e criados no Brasil, sob a Constituição brasileira, beneficiários de direitos garantidos por um Estado democrático e plural.


A insistência em se colocar como “europeu” em oposição ao “brasileiro” revela não orgulho cultural, mas negação da própria nacionalidade. Essa postura reforça um imaginário colonial e hierarquizante, no qual o Brasil é visto como algo menor — e apenas certas origens seriam dignas de reconhecimento.

Celebrar tradições é legítimo. Hierarquizar pessoas com base em origem, raça, orientação sexual ou nacionalidade não é.


O silêncio que protege


Outro elemento preocupante é o silêncio social. Em muitas cidades do interior, esses discursos circulam sem contestação pública, seja por medo, conivência ou naturalização. O problema do discurso implícito é exatamente esse: ele se normaliza, passa a ser visto como “opinião pessoal” ou “jeito de pensar”, quando na verdade carrega fundamentos antidemocráticos.


Não é necessário que alguém declare apoio ao nazismo para que a lógica nazista esteja presente. Ela se manifesta quando a diversidade é tratada como ameaça e quando certos grupos são empurrados para fora do pertencimento social.


Uma análise necessária, não uma acusação


Este texto não aponta culpados individuais nem afirma que o Sul do Brasil seja “nazista”. Isso seria falso e injusto. A região é diversa, plural e marcada por resistências históricas importantes. O que se analisa aqui é a existência de discursos recorrentes, documentados, que se aproveitam da herança europeia para sustentar ideias de exclusão.


Ignorar esse debate não protege a cultura — apenas protege o extremismo.

Reconhecer o problema é o primeiro passo para reafirmar um princípio básico: no Brasil, não há espaço — explícito ou implícito — para ideologias que negam a humanidade do outro.


Autor: Michel Hajime


Fui abusado sexualmente aos 16 anos dentro de uma emissora de televisão por um segurança saindo da gravação de uma novela quando era figurante, na semana do meu aniversário de 17 anos um produtor me ofereceu trabalho em troca de sexo e se masturbou na minha dentro do camim, durante a produção de uma novela famosa.


Passei por uma possível tentativa de “cura gay”, sofri ameaças de morte e agressões, presenciei casos de racismo, gordofobia, entre outras violências. Tentei suicídio mais de uma vez. Fui parar no CAPS após ser diagnosticado com crise de pânico. Todos os meus casos foram negligenciados, mesmo após cobranças ao poder público.


Nunca imaginei que essa patologia fosse tão cruel. Cheguei a ter feridas que ficaram na carne viva. Antes, se outra pessoa tivesse, eu falaria que era “mimimi”, até viver na própria pele. Embora todas as crueldades que sofri, não desejo isso nem para o meu pior inimigo.


Hoje, luto contra tudo pelo que passei. Mesmo tendo sido coagido, perseguido e até estar sendo ameaçado de morte, nunca deixarei de lutar, principalmente pelas crianças inocentes (seu eu que fui abusado na nadolecência me doí muito, imagina uma criança). Podem até me matar, mas morro como homem — muito mais homem do que aqueles que fazem discursos moralistas, mas defendem o indefensável.


Hoje, a maior dor como gay é ver a homossexualidade ligada ao abuso infantil, quando a maior parte dos casos de abuso é heterossexual (principamente entre familiares). Soma-se a isso a dor de ser agredido por homens casados que se relacionam com outros homens, mas, para disfarçar, agem de forma homofóbica e usam a religião para se esconder.


Creio em Deus e sei da importância da religião. Porém, hoje, muitas pessoas que nunca foram de Deus usam a religiosidade como disfarce para seus crimes e perversões. Ainda assim, sei que do nosso Pai nada se esconde. Neste mundo tomado por pessoas imundas, nada passa despercebido aos olhos do Nosso Pai Celestial. E, mesmo sofrendo tudo isso, Ele saberá que, embora eu tenha me tornado uma vítima da sociedade — discurso que até descobrir que estava em crise de pânico eu abominava —, eu não me rendi e sigo lutando pelo que Deus realmente prega: Amor, Caridade e Respeito.

 
 
 

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