B de vingança - Um herói para o povo ignorante brasileiro
- Michel Hajime

- 23 de fev.
- 2 min de leitura

Se o Brasil tivesse um heroí seria o “B de Vingança”, devido a condição política e social em que o Brasil se encontra, principamente devido ao fanatismo político. Inspirado na famosa frase do filme V de Vingança — “O povo não deve temer seu gover, mas o governo deve temer o seu povo” —, é impossível não refletir sobre a contradição que vivemos: aqui, parece que o povo não apenas teme o poder, como o idolatra cegamente. E pior, entrega a falsa impressão de que são os políticos que comandam, quando, em uma democracia real, o poder deveria estar nas mãos da população
O fanatismo político, hoje, é um dos principais sintomas da decadência nacional. Assistimos a indivíduos que defendem figuras públicas como se fossem Deus, repetindo slogans sem reflexão crítica, atacando quem ousa discordar e fechando os olhos para a corrupção, os escândalos e a incompetência. O resultado? Uma massa que não questiona, apenas obedece e legitima. Essa idolatria transfere para os políticos um poder ilimitado, sem cobranças ou contrapontos.
Na obra original, o personagem V se ergue contra um sistema autoritário, lembrando constantemente que a força de uma nação vem do povo unido e consciente. No entanto, no Brasil, temos o oposto: um povo que prefere se dividir em extremos, fanáticos de um lado e de outro, alimentando justamente os que deveriam ser cobrados. É como se o herói mascarado, ao surgir por aqui, não encontrasse uma multidão disposta a se levantar contra a opressão, mas sim uma plateia acomodada, que prefere a ilusão de segurança oferecida por discursos populistas.
O perigo disso é evidente: enquanto a população se perde em brigas e idolatrias, os problemas reais — fome, desemprego, violência, educação precária — seguem sendo ignorados. O sistema político se retroalimenta do fanatismo, garantindo a continuidade do poder nas mãos de poucos. Como no filme, os símbolos podem ser distorcidos; a máscara de resistência vira meme, a revolta vira piada, e a luta vira espetáculo.
O Brasil precisa compreender que democracia não é escolher um líder para venerar, mas sim fiscalizar, questionar e participar das decisões. Enquanto continuarmos entregando a políticos a condição de donos da verdade, permaneceremos presos a um ciclo de decadência.
Se V de Vingança trouxe a mensagem de que "o poder deve temer o povo", a versão brasileira "B de Vingança" ironiza nossa realidade: aqui, é o povo que se curva diante do poder, tornando-se cúmplice de sua própria decadência.



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